sábado, 24 de junho de 2023

Obsessive love disorder

 

A torre


Olha, 

Eu não vou te esperar 

Escuta bem quando eu digo isso

Com todas as letras 

Não vou te esperar.

Eu posso até guardar meu relicário 

Com nossas iniciais riscadas 

Mas não te espero mais 

Outra coisa,

Eu posso guardar nossas polaroids

E presentes que eu fiz pra você 

Mas não espero 

Não espero porquê meu coração já tá cansado 

Ele se se sente esquecido

Por eu carregar você 

Mesmo que você não esteja mais aqui.

Eu queria de verdade 

Que uma ponte fosse criada entre a minha e sua cidade

E eu fui tola a ponto de achar que para o amor só basta o recíproco 

Mas entre nós tem uma longa distância 

Uma longa história 

Dois passaportes

E nenhum visto aceito

Eu não posso te carregar mais.

Ando tão aflita 

Que me vejo só no presente,

Não querendo ser imediatista 

Mas é tão doído esperar você voltar

Para ser feliz de novo

Então nesses tempos eu encarei o espelho 

E não vi nada

Além da namorada de alguém,

A donzela 

Presa na torre das próprias angústias.

Eu não posso mais te esperar 

Mas de alguma forma ainda te guardo.


quarta-feira, 21 de junho de 2023

Veneno

Venho aqui para lhe dizer como me sinto 

Embora já espere uma resposta 

De certo,

Preciso agora mais do que nunca

Perante ao senhor 

Padre

E perante ao nosso Deus 

Dizer o que sinto no fundo do peito 

A angústia que carrego.

Toda mulher que conheci desejava algo

Um casamento, filhos 

ou senão a própria liberdade 

Eu tenho corrido das escolhas da vida 

Esperando calmamente 

Até cada uma apodrecer de vez 

Tenho matado o meu futuro 

Pouco a pouco 

Deixando de ser quem sou no presente 

Não desejo nada 

Se não a mais pura ausência de algo

A neblina entre meus pensamentos 

Apaga o que tenho de mais profundo 

Dentro de mim

E ao atravessar o rio de minhas lágrimas 

Não me basta outra opção 

A me jogar

Me afogar

Me matar 

entre as entrelinhas dos meus desejos 

Em qualquer pensamento que me afaste

de mim mesma.

Eu hoje estou aqui 

Pois nem o melhor dos psiquiatras pode me ajudar,

Quem dirá o amor pode

Pois meu amado nunca sentiu nada assim antes

Como ele poderia me ajudar 

Além de esperar que de qualquer forma eu fique bem?

Como eu poderei olhar nos olhos de minha mãe 

E dizer a ela que me fez um bom trabalho?

Se no fundo ela sabe que sou infeliz

Como poderia inventar um motivo aos meus amigos?

Se motivos já lhes dei aos montes

Chorando pelos cantos da casa 

Suplicando quem sabe um motivo

Para tamanha dor.

Eu sou meu maior motivo 

Eu sou a menina rodeada de bonecas

Desejando outras

Eu sou garota se jogando da janela em sua festa de aniversário 

Eu sou a mulher chorando na banheira de sua noite de núpcias 

Pois nunca serei nada

Além da dor que carrego

E tento sufocar 

Falhando 

E tentando 

Sem um resquício de esperança 

Ser algo além do vazio

Ser algo além do que eu sou

E no desespero de qualquer noite 

Busco ceifar minha tristeza 

Talvez 

em um gole de veneno 

Talvez 

em um beijo de um amante

Irei amanhecer só 

Em uma nova pessoa.