Achei um arquivo de fotos antigas esses dias, fotos que eu não lembrava que eu tinha de momentos que eu não lembrava ter vivido. Talvez porquê a dor de ter passado por isso tenha forçado meu cérebro a tentar esquecer, mas eu não esqueci. Apesar de empurrar essas lembranças para o fundo dos meus ouvidos elas simplesmente não desaparecem e eu tenho esse zumbido constante de algo mal resolvido mas como poderia ser diferente? Essas pessoas que dormiam ao meu lado e comiam no mesmo prato que eu de forma tão íntima me viam pelada, chorando, me viam bêbada ou sã, hoje elas fingem não me ver ao atravessar a rua e como uma forma de me proteger eu penso que não se perde nada quando se perde falsos amigos, mas essa sensação de ter vivido uma vida passada onde a gente se dava muito bem e as coisas costumavam ser diferente. A culpa é minha eu sei, mas nenhum amigo viraria inimigo tão facilmente assim, talvez um sorriso amarelo mas ignorar totalmente alguém com que se dormiu a noite passada é loucura. O que me faz pensar que nada que se perde com tanta facilidade é real, isso ainda vem zumbindo entre meus ouvidos
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quarta-feira, 8 de março de 2023
terça-feira, 14 de abril de 2020
Quarentena
Então,
A
noite acabou com vinho e pão
Por
fim,
Sem
festa de São João
Quatro
anos, multa, reeleição
Nada
disso importa
A
vida acaba em vinho e pão
Boleto,
grana, reencarnação
Aqui,
lá fora
O
dia acaba em vinho e pão
Com
fome e sangue em cada mão
Dinheiro que era nosso até então
Serviu
pro fim da quarentena
A
tarde acaba em frustração.
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