Venho aqui para lhe dizer como me sinto
Embora já espere uma resposta
De certo,
Preciso agora mais do que nunca
Perante ao senhor
Padre
E perante ao nosso Deus
Dizer o que sinto no fundo do peito
A angústia que carrego.
Toda mulher que conheci desejava algo
Um casamento, filhos
ou senão a própria liberdade
Eu tenho corrido das escolhas da vida
Esperando calmamente
Até cada uma apodrecer de vez
Tenho matado o meu futuro
Pouco a pouco
Deixando de ser quem sou no presente
Não desejo nada
Se não a mais pura ausência de algo
A neblina entre meus pensamentos
Apaga o que tenho de mais profundo
Dentro de mim
E ao atravessar o rio de minhas lágrimas
Não me basta outra opção
A me jogar
Me afogar
Me matar
entre as entrelinhas dos meus desejos
Em qualquer pensamento que me afaste
de mim mesma.
Eu hoje estou aqui
Pois nem o melhor dos psiquiatras pode me ajudar,
Quem dirá o amor pode
Pois meu amado nunca sentiu nada assim antes
Como ele poderia me ajudar
Além de esperar que de qualquer forma eu fique bem?
Como eu poderei olhar nos olhos de minha mãe
E dizer a ela que me fez um bom trabalho?
Se no fundo ela sabe que sou infeliz
Como poderia inventar um motivo aos meus amigos?
Se motivos já lhes dei aos montes
Chorando pelos cantos da casa
Suplicando quem sabe um motivo
Para tamanha dor.
Eu sou meu maior motivo
Eu sou a menina rodeada de bonecas
Desejando outras
Eu sou garota se jogando da janela em sua festa de aniversário
Eu sou a mulher chorando na banheira de sua noite de núpcias
Pois nunca serei nada
Além da dor que carrego
E tento sufocar
Falhando
E tentando
Sem um resquício de esperança
Ser algo além do vazio
Ser algo além do que eu sou
E no desespero de qualquer noite
Busco ceifar minha tristeza
Talvez
em um gole de veneno
Talvez
em um beijo de um amante
Irei amanhecer só
Em uma nova pessoa.

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